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Title: MATRIX – Filosofia, Realidade e Hacking
Description: Mais textos interessantes sobre a teoria


SrCabeçaLH - June 14, 2003 05:01 AM (GMT)
E ae galera, blz?!
Acabei de receber este texto por e-mail enviado por meu primo e não sei a fonte... mas as definições são bem interessantes... dêem uma olhadinha... no final do texto eu coloco uma lista de sites onde eu achei as fotos e tals... blz?!

"Quem ainda não viu Matrix 2 está perdendo uma real cena de hacking, na qual Trinity invade um computador da Matrix utilizando um exploit do SSH. Tudo bem, a cena dura apenas 3 segundos, mas foi muito mais interessante do que ver cenas bizarras em 3D como em outros filmes sobre hacking, onde parece que o telespectador, ou o hacker, usou alguma substância ilícita. A cena gerou debates e advertências de empresas de segurança. Na Inglaterra, a empresa British Computer Society (BCS) alertou os internautas para que não tentassem reproduzir a cena do filme, pois seriam enquadrados pela lei britânica "Computer Misuse Act", podendo ser até presos. Soou como algo do tipo: "Crianças, não façam isso em casa".

O NMap, uma das ferramentas mais utilizadas por hackers e profissionais de segurança, foi usado por Trinity para "scanear" um servidor SSH da Matrix. No site do NMap estão disponíveis várias imagens da cena de hacking e de outras para download. Após usar o NMap 2.54BETA25, Trinity rodou um exploit do SSH - SSHv1 CRC32, e conseguiu acesso ao sistema como root. Houve bastante discussão a respeito disso, pois o primeiro filme é de 1999. Em um determinado momento, Morpheus menciona que desde que Neo se tornou "the One" eles libertaram mais mentes "nos últimos 6 meses do que nos últimos 6 anos". Isso nos faz pensar que eles estão no máximo em junho de 2000. Sendo o exploit do SSH de 2001, como Trinity poderia ter usado um exploit de uma vulnerabilidade ainda não conhecida? Só se Trinity estiver entre os melhores hackers do planeta ou se esta vulnerabilidade ainda não tivesse sido divulgada nas listas de discussão. De acordo com o site do NMap, a versão citada foi lançada em 04/06/2001.

Mas afinal, o que é a Matrix? Tudo se resume à frase "Wake up, Neo..." escrita na tela do computador de um hacker. Esta frase resume a idéia passada pelo filme que é a de que a humanidade está "adormecida" em sua ignorância e só conseguirá acordar ao buscar o conhecimento. Assim sendo, a história do filme se passa em um cenário simulado por computadores através de Inteligência Artificial, onde nós estaríamos vivendo num mundo ilusório controlado por computadores - chamado de "The Matrix" - e não conseguimos acordar por causa da nossa ignorância e falta de percepção da realidade. A partir daí, o filme segue fazendo alusões a Gnose Cristã e ao Budismo.

Alguns elementos são facilmente perceptíveis como "Trinity" (Trindade) e a batalha de Neo contra os agentes do mal, em que ele morre e ressuscita para a salvação de todos, reforçando a imagem da figura Messiânica, do escolhido. Os diretores do filme assumiram no chat do site do filme que utilizaram muitos elementos como estes, e que nomes e números foram cuidadosamente selecionados e possuem múltiplos significados. Por exemplo, "Neo" é um anagrama para "One". No início do filme, o número do apartamento de Neo é 101, simbolizando tanto o código binário como seu papel "the One". Já mais para o fim do filme, o número do apartamento em que ele entra e sai na cena de morte / ressurreição invocando a Trindade é 303. No início do filme, Choi, um hacker que vai até Neo para comprar um programa diz: "Você é meu salvador, cara. Meu Jesus Cristo particular!". Quando Neo é levado para a nave Nabuchadnezzar pela primeira vez, a câmera para em um ponto que é possível ler na parede: "Mark III no. 11", o que parece remeter direto para o Evangelho de Marcos 3:11 que diz: "E os espíritos imundos vendo-o, pros-travam-se diante dele, e clamavam, dizendo: Tu és o Filho de Deus". A tripulação da nave Nabuchadnezzar repetidamente pronunciava na presença de Neo: "Jesus!" e "Jesus Christ!", por ele ser "o escolhido" e ter poder / conhecimento para operar "milagres" na Matrix.

Um hacker, que possui um alto conhecimento, é chamado para se juntar a outros e ajudar na invasão do simulador da Matrix. Ele tem a escolha de fazê-lo ou não. Esta escolha é dada por Morpheus, que oferece a Neo a chance de tomar uma de duas pílulas: a pílula vermelha ou a azul. A pílula azul representa a ignorância, pois Neo voltaria a viver na ilusão do "mundo real" e a pílula vermelha o caminho do conhecimento e a chance de se libertar. No livro "Taking the Red Pill", o autor Glenn Yeffeth, analisa de forma científica, filosófica e religiosa tanto o assunto como o filme.

Apesar de as alusões feitas no filme serem bem interessantes, elas são de raciocínio bem limitado, ou seja, sabemos que todas são propositais e que aquela história foi inventada por alguém. Depois de descobrir os "enigmas" no filme, se quisermos continuar pensando sobre simulações o melhor caminho parece ser o científico.

O único filósofo citado no primeiro filme é o francês Jean Baudrillard, autor do livro "Simulations", onde Neo esconde os disquetes no início do filme. Já que o livro aparece na simulação, e não na realidade, será que os diretores quiseram passar a idéia de que o livro também uma simulação? Na cena seguinte, a indicação dada a Neo para seguir o coelho branco, vem de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll. O autor também é citado na pílula vermelha, no espelho que se liquefaz e em muitas frases ditas por Morpheus.

O filósofo Nick Bostrom, PhD, pesquisador do curso de filosofia da Universidade de Oxford, publicou um artigo na revista britânica "Philosophical Quarterly", que apresenta de forma bem séria uma linha de raciocínio que tenta explicar porque poderíamos estar vivendo em uma simulação. O pesquisador chama essa linha de raciocínio de "simulation argument". Para ele, existem 3 possibilidades a respeito deste assunto: 1) a nossa espécie seria extinta antes de obter tal avanço tecnológico ou simplesmente tal tecnologia nunca poderá ser desenvolvida. 2) não haveria interesse por parte da humanidade em inventar simulações de mentes como as nossas. 3) estaríamos vivendo em uma simulação. De acordo com o raciocínio apresentado pelo pesquisador, há uma grande chance de que 1 e 2 sejam afirmações falsas e que 3 seja verdadeira. O site pessoal de Nick Bostrom é www.nickbostrom.com e artigos do filósofo e de outros estudiosos da área sobre simulações e realidade virtual podem ser encontrados em www.simulation-argument.com.

Se pararmos para pensar um pouco, podem surgir novas idéias a respeito do conceito de simulação de realidade apresentado no filme. Será que a evolução da espécie humana e até mesmo de outras espécies é na verdade um aperfeiçoamento no simulador, e nos "modelos" inseridos na simulação? Diz a Bíblia que fomos criados à imagem e semelhança do nosso criador. Se formos parte de uma simulação, o mundo real poderia ser bem parecido com este e o nosso criador poderia ser um humano real. Será que os buracos negros existentes no universo, são bugs do simulador?

Tanto a trilogia The Matrix como os livros e artigos citados acima falam sobre filosofia, religião, realidade e conhecimento. Mas, um tema abordado no filme que parece que foi deixado de lado, e que merece muita atenção por parte de nós, profissionais de segurança da informação, é o hacking. O ataque feito por Trinity, deve servir para nos lembrar de como as empresas podem estar vulneráveis. Mesmo supercomputadores de organizações poderosas podem estar vulneráveis a falhas facilmente exploradas por hackers, assim como no filme.

Se algum dia for possível sabermos se estamos vivendo em uma simulação ou não, e se estivermos, será que conseguiremos continuar vivendo sabendo disso? De acordo com Nick Bostrom, talvez nunca venhamos a saber, pois se estivermos vivendo em uma simulação e os nossos criadores não quiserem que descubramos a verdade, simplesmente nunca a descobriremos.

Ainda assim, se você achar que está vivendo em uma simulação, deve continuar vivendo normalmente como se estivesse convencido de que vive em um mundo não simulado - diz o filósofo de Oxford. Ele diz ainda que se, por exemplo, acreditarmos que o nosso "criador" segue a religião cristã no mundo real, poderemos ser punidos ou recompensados de acordo com essa religião. Outra idéia de Bostrom é que talvez a "reencarnação" seja possível, pois poderia ser feito um "upload" da mente simulada em outra simulação, ou até mesmo ganhar um corpo artificial no mundo real. Talvez seja por isso que algumas pessoas dizem que os ignorantes são felizes. "



Link do site do programa nMAP de hacking: http://www.insecure.org/
Imagens do hacking feito por Trinity no filme: http://images.insecure.org/nmap/images/matrix/

:blink:


Volstag - June 14, 2003 08:48 PM (GMT)
Doidera esse texto :)

Panca Loca - June 14, 2003 11:54 PM (GMT)
Muito grande... prefiro jogar Pac-man do Atari.

#@®®¡$ - June 15, 2003 03:19 PM (GMT)
O programa Nmap não é de hacking, é um programa para escanear portas abertas na máquina dos sistemas *n?x (Unix ou Linux). Administradores de rede usam isso direto ;¬)

Tô fazendo um curso de administração de redes Linux pra pegar a certificação da Conectiva, isso é brincadeira de criança.

O texto tem algumas partes retiradas da Super Interessante do mês passado, q fala sobre estarmos vivendo numa simulação e talz e outras retiradas do Omelete, sobre as citações à filosofia.

Mas essa do exploit é nova pra mim ;¬)




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